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Canabidiol altera exame de sangue? Entenda o que pode mudar

Quem utiliza cannabis medicinal pode se perguntar: canabidiol altera exame de sangue?

A resposta depende do que queremos dizer com “alterar”.

O canabidiol (CBD) não necessariamente interfere no exame de forma a produzir um resultado falso. Porém, o uso de CBD pode estar associado a mudanças reais em alguns parâmetros laboratoriais, especialmente em marcadores relacionados ao fígado.

Além disso, o CBD pode interagir com determinados medicamentos, o que também precisa ser considerado na interpretação de exames.

Por isso, se você utiliza canabidiol, é importante informar ao médico quais produtos, doses e outros medicamentos fazem parte da sua rotina antes da realização e interpretação dos exames.

Vamos entender melhor.

Afinal, canabidiol altera exame de sangue?

Pode alterar alguns parâmetros, mas isso não significa que todo exame de sangue será modificado.

Uma das alterações mais bem documentadas envolve as chamadas transaminases hepáticas, principalmente:

  • ALT (alanina aminotransferase);
  • AST (aspartato aminotransferase).

Essas enzimas são frequentemente avaliadas em exames relacionados à saúde do fígado.

Em um ensaio clínico randomizado publicado no JAMA Internal Medicine em 2025, 201 adultos saudáveis receberam CBD ou placebo durante 28 dias.

Entre os participantes que receberam CBD na dose estudada, 5,6% apresentaram elevação de ALT ou AST acima de três vezes o limite superior da normalidade, enquanto nenhum participante do grupo placebo apresentou o mesmo desfecho.

Os pesquisadores também não encontraram diferenças relevantes entre CBD e placebo em alguns dos marcadores hormonais avaliados, como TSH, T3 total e T4 livre.

Isso ajuda a compreender uma diferença fundamental:

o CBD não altera necessariamente todos os exames — mas pode influenciar determinados marcadores biológicos em algumas pessoas.

Se você ainda está começando a conhecer esse canabinoide, confira também o que é CBD e para que serve.

Canabidiol altera as enzimas do fígado?

Pode alterar em algumas pessoas.

Esse é um dos efeitos laboratoriais mais estudados do CBD.

Uma revisão sistemática e meta-análise que reuniu ensaios clínicos encontrou associação entre o uso de CBD e maior probabilidade de elevação das enzimas hepáticas em comparação ao placebo.

O risco não foi igual em todas as situações. Doses elevadas e o uso concomitante de determinados medicamentos antiepilépticos apareceram como fatores importantes.

Isso significa que encontrar ALT ou AST elevadas durante o uso de CBD não deve ser ignorado, mas também não permite concluir automaticamente que existe uma lesão hepática grave.

O resultado precisa ser interpretado dentro do contexto clínico.

Canabidiol faz mal para o fígado?

Essa pergunta exige cuidado.

O fato de existirem casos de elevação das enzimas hepáticas não significa que toda pessoa que utiliza CBD desenvolverá lesão no fígado.

Ao mesmo tempo, também não é adequado afirmar que o canabidiol seja completamente isento de riscos hepáticos.

Uma meta-análise de 12 ensaios, envolvendo 1.229 participantes na comparação principal, encontrou maior probabilidade de elevação de enzimas hepáticas entre pessoas que receberam CBD. Doses mais altas e o uso concomitante de antiepilépticos foram identificados como fatores de risco.

Portanto, o acompanhamento precisa considerar dose, outros medicamentos, histórico clínico e resultados laboratoriais.

Esse é um exemplo importante de por que cannabis medicinal deve ser tratada como uma possibilidade terapêutica que também exige acompanhamento — e não simplesmente como um produto “natural”.

Quem toma canabidiol precisa fazer exame do fígado?

Não existe uma regra única aplicável a qualquer pessoa e qualquer produto de CBD.

A necessidade de exames depende do produto, da dose, da condição clínica, dos medicamentos utilizados simultaneamente e da avaliação profissional.

Para o CBD farmacêutico purificado utilizado em determinadas epilepsias, por exemplo, a informação de prescrição recomenda a avaliação de ALT, AST e bilirrubina total antes do tratamento e novamente durante o acompanhamento.

Nesse contexto específico, o monitoramento é recomendado após 1, 3 e 6 meses e posteriormente conforme indicação clínica, além de situações como mudanças de dose ou de medicamentos que possam afetar o fígado.

Isso não significa que esse mesmo protocolo precise ser aplicado automaticamente a toda pessoa que utiliza qualquer produto contendo CBD.

O profissional responsável deve determinar quais exames fazem sentido em cada situação.

Canabidiol pode alterar TGO e TGP?

Sim, existe essa possibilidade.

TGO e TGP são denominações tradicionalmente utilizadas para as enzimas atualmente chamadas de AST e ALT, respectivamente.

Portanto:

TGO = AST

TGP = ALT

São justamente alguns dos marcadores que podem apresentar elevação durante o tratamento com CBD em determinados pacientes.

Um estudo anterior realizado com adultos saudáveis que receberam uma dose terapêutica elevada de CBD encontrou elevações de ALT em parte dos participantes após algumas semanas de exposição.

Estudos mais recentes confirmaram que esse fenômeno também pode ocorrer em doses menores do que as avaliadas naquele trabalho, embora não aconteça com todas as pessoas.

E a bilirrubina?

A bilirrubina também pode fazer parte da avaliação da função e segurança hepática.

A interpretação conjunta de transaminases e bilirrubina ajuda o profissional a avaliar a relevância de determinadas alterações.

Por esse motivo, protocolos de acompanhamento de CBD farmacêutico podem incluir ALT, AST e bilirrubina total.

Não tente interpretar uma alteração isolada sem considerar os valores de referência, outros resultados, sintomas, medicamentos utilizados e histórico clínico.

Canabidiol altera colesterol e triglicerídeos?

Não existe evidência suficiente para afirmar genericamente que o CBD provocará alterações clinicamente relevantes no colesterol ou nos triglicerídeos de qualquer pessoa.

Existem pesquisas experimentais sobre CBD, metabolismo e diferentes parâmetros metabólicos, mas os resultados dependem muito da população, dose e desenho do estudo.

Portanto, se colesterol ou triglicerídeos aparecerem alterados em um exame, não é adequado atribuir automaticamente a mudança ao canabidiol.

Alimentação, peso corporal, genética, atividade física, condições metabólicas e outros medicamentos também podem influenciar esses resultados.

A mesma cautela vale para mudanças de peso. Confira também o conteúdo da Vikura Canabidiol engorda? Entenda os efeitos do CBD no apetite e no peso.

Canabidiol altera glicemia?

Não há base para dizer que o uso de CBD inevitavelmente altera a glicemia.

Embora o sistema endocanabinoide esteja envolvido em diferentes processos fisiológicos e existam pesquisas investigando metabolismo e canabinoides, isso não permite concluir que CBD seja um tratamento para controle da glicose ou que necessariamente provoque alterações glicêmicas.

Se você quer compreender melhor a relação dos canabinoides com diferentes processos do organismo, leia o conteúdo da Vikura sobre como funciona o sistema endocanabinoide.

Canabidiol altera exames da tireoide?

As evidências disponíveis não permitem afirmar que o CBD normalmente cause alterações nos exames da tireoide.

No ensaio clínico randomizado publicado em 2025, os pesquisadores avaliaram TSH, T3 total e T4 livre e não encontraram diferenças nas mudanças desses parâmetros entre CBD e placebo durante o período estudado.

Isso não significa que qualquer produto, dose e duração de tratamento estejam comprovadamente livres de influência sobre parâmetros endócrinos.

Significa apenas que, naquele estudo, esses marcadores não apresentaram diferenças entre os grupos.

Por isso, resultados de TSH, T3 ou T4 alterados não devem ser atribuídos automaticamente ao canabidiol.

Canabidiol altera hemograma?

Não existe evidência suficiente para afirmar que CBD inevitavelmente altere o hemograma de quem o utiliza.

O hemograma avalia diferentes componentes do sangue, incluindo hemácias, leucócitos e plaquetas.

Uma alteração encontrada durante o tratamento precisa ser interpretada considerando diversas possibilidades, como infecções, condições clínicas, medicamentos, estado nutricional e outros fatores.

Mais uma vez, usar CBD e encontrar uma alteração laboratorial ao mesmo tempo não prova que o CBD tenha sido a causa.

Canabidiol pode alterar o nível de outros medicamentos no sangue?

Sim — e esse é outro ponto importante.

O CBD pode interagir com enzimas envolvidas no metabolismo de diferentes medicamentos.

Em determinados casos, isso pode modificar a concentração de outro fármaco no organismo.

Um exemplo bem documentado envolve alguns medicamentos utilizados no tratamento de epilepsias. Estudos encontraram mudanças nos níveis séricos de determinados antiepilépticos durante o uso concomitante de CBD.

Isso é especialmente relevante quando o médico solicita exames para acompanhar a concentração de um medicamento no sangue.

Para entender melhor esse tema, confira também Canabidiol corta o efeito de remédio? Entenda as interações medicamentosas.

Canabidiol e valproato: por que essa combinação merece atenção?

O valproato é um dos medicamentos que aparecem com frequência nas pesquisas sobre CBD e alterações hepáticas.

Estudos clínicos observaram que alterações de ALT e AST foram mais frequentes em alguns pacientes que utilizavam CBD simultaneamente ao valproato.

Isso não significa simplesmente que um medicamento “corte” ou “potencialize” o outro.

A preocupação está principalmente relacionada ao risco de alterações hepáticas, que pode justificar monitoramento mais cuidadoso em determinadas situações.

Por isso, nunca omita do profissional os medicamentos que você já utiliza antes de iniciar cannabis medicinal.

Preciso parar o canabidiol antes de fazer exame de sangue?

Não faça isso por conta própria.

Suspender o CBD antes de um exame pode inclusive dificultar a avaliação quando o objetivo é justamente entender como o organismo está respondendo ao tratamento.

Se houver necessidade de suspender ou modificar temporariamente algum medicamento ou produto antes da coleta, essa orientação deve vir do profissional ou do laboratório responsável pelo exame.

A conduta também depende do exame que será realizado e do motivo pelo qual ele foi solicitado.

Preciso avisar o laboratório que uso canabidiol?

É recomendável informar ao profissional de saúde responsável pela solicitação e interpretação dos exames todos os medicamentos e produtos que você utiliza regularmente.

Isso inclui:

  • canabidiol;
  • outros produtos à base de Cannabis;
  • medicamentos prescritos;
  • medicamentos sem receita;
  • suplementos;
  • fitoterápicos.

Essa informação pode ser importante para interpretar alterações e identificar possíveis interações.

Canabidiol aparece no exame de sangue?

Essa é uma pergunta diferente de saber se CBD altera os resultados de um exame.

Um exame laboratorial comum — como hemograma, glicemia ou colesterol — não tem como objetivo simplesmente procurar CBD.

Para identificar canabinoides ou seus metabólitos, é necessário um teste desenvolvido para essa finalidade.

Além disso, produtos à base de Cannabis podem apresentar composições diferentes. Alguns contêm predominantemente CBD, enquanto outros também podem apresentar THC.

Essa diferença é particularmente relevante quando a preocupação envolve testes toxicológicos.

Canabidiol aparece no exame toxicológico?

Aqui é fundamental diferenciar CBD e THC.

O CBD não é o mesmo composto que o THC. Entretanto, alguns produtos contendo CBD também podem apresentar determinadas quantidades de THC.

Por isso, não é seguro concluir que qualquer pessoa que utilize um produto chamado “óleo de CBD” terá necessariamente um resultado positivo ou negativo em um exame toxicológico.

É preciso considerar:

  • composição do produto;
  • presença de THC;
  • quantidade utilizada;
  • frequência de uso;
  • tipo de exame;
  • substâncias pesquisadas pelo teste.

Conhecer exatamente a composição do produto utilizado é fundamental.

Para entender melhor as diferenças entre os canabinoides, confira o guia da Vikura sobre óleo de THC e utilização medicinal.

O CBD pode alterar exames sem causar sintomas?

Sim.

Alterações laboratoriais podem aparecer mesmo quando a pessoa não percebe sintomas evidentes.

Esse é justamente um dos motivos pelos quais exames podem ser utilizados para monitoramento em determinados tratamentos.

No ensaio clínico de 2025 com adultos saudáveis, as elevações de enzimas hepáticas começaram a ser detectadas após algumas semanas de exposição ao CBD.

Portanto, sentir-se bem não significa necessariamente que qualquer parâmetro laboratorial estará normal — da mesma maneira que um resultado alterado isoladamente não significa automaticamente doença grave.

Quais sintomas merecem atenção durante o tratamento?

Durante tratamentos com CBD, especialmente quando existe preocupação com o fígado, sintomas novos devem ser comunicados ao profissional responsável.

Entre os sinais que podem justificar avaliação estão:

  • náuseas ou vômitos sem explicação;
  • perda importante de apetite;
  • cansaço incomum;
  • dor na região superior direita do abdômen;
  • pele ou olhos amarelados;
  • urina escura.

Esses sintomas podem ter muitas causas e não significam automaticamente lesão provocada pelo CBD.

Ainda assim, merecem avaliação.

Meu exame mudou depois que comecei o canabidiol. O que fazer?

Primeiro, evite concluir sozinho que o CBD foi necessariamente responsável.

Leve o resultado para o profissional que acompanha o tratamento e informe:

quando iniciou o CBD;
qual produto utiliza;
qual é a concentração;
qual quantidade utiliza;
se houve mudança recente na quantidade;
quais outros medicamentos utiliza;
se apresenta algum sintoma.

Essas informações ajudam a estabelecer se existe uma relação plausível entre o tratamento e a alteração laboratorial.

Dependendo do caso, o profissional poderá solicitar repetição do exame, outros testes ou avaliar mudanças no tratamento.

Posso suspender o CBD se meu exame estiver alterado?

Não tome essa decisão apenas com base em um número encontrado no resultado.

A importância de uma alteração depende do marcador, da magnitude da mudança, dos sintomas, dos medicamentos associados e do quadro clínico.

Em algumas situações, uma alteração pode exigir intervenção rápida. Em outras, pode ser necessário apenas repetir ou complementar os exames.

A decisão sobre interromper, reduzir ou modificar um tratamento deve ser feita com orientação profissional.

Então, canabidiol altera exame de sangue?

O canabidiol pode estar associado a alterações reais em alguns exames de sangue, principalmente em marcadores hepáticos como ALT/TGP e AST/TGO.

Isso não significa que o CBD altere todos os exames nem que todo usuário apresentará mudanças.

Também é importante diferenciar uma alteração biológica provocada pelo tratamento de uma interferência analítica que produz um resultado falso.

As evidências mais consistentes disponíveis atualmente estão relacionadas às enzimas hepáticas e a determinadas interações medicamentosas.

Por isso, quem utiliza CBD deve informar o tratamento aos profissionais responsáveis pelos exames e seguir as recomendações de monitoramento individualizadas.

Usa canabidiol e teve alterações nos exames?

Um resultado fora da referência pode gerar preocupação, mas precisa ser interpretado dentro do contexto completo do tratamento.

Em uma consulta com profissional habilitado, é possível revisar seus exames, medicamentos utilizados, composição do produto de Cannabis e possíveis interações.

Caso a cannabis medicinal seja considerada adequada para o seu contexto, o acompanhamento também permite monitorar benefícios, tolerabilidade e segurança ao longo do tratamento.

Perguntas frequentes

Canabidiol altera exame de sangue?

Pode alterar alguns parâmetros. As evidências mais consistentes envolvem elevações de enzimas hepáticas como ALT/TGP e AST/TGO em parte dos pacientes e participantes de estudos.

Canabidiol altera TGO e TGP?

Pode. Elevações dessas enzimas foram documentadas em ensaios clínicos com CBD. O risco depende de fatores como dose, outros medicamentos e características individuais.

Canabidiol altera exame da tireoide?

Um ensaio clínico recente não encontrou diferenças entre CBD e placebo nas mudanças de TSH, T3 total e T4 livre durante o período avaliado. Isso não permite generalizar o resultado para qualquer situação.

CBD altera hemograma?

Não existe evidência suficiente para afirmar que o CBD necessariamente altere o hemograma. Resultados anormais precisam ser avaliados individualmente.

Preciso parar o CBD antes de fazer exame?

Não suspenda o tratamento por conta própria. Pergunte ao profissional que solicitou o exame se existe alguma preparação específica.

Canabidiol aparece em exame toxicológico?

CBD e THC são substâncias diferentes, mas produtos de Cannabis podem apresentar diferentes composições. A possibilidade de detecção depende do produto utilizado e do que o teste procura.

O CBD pode afetar o fígado sem causar sintomas?

Alterações laboratoriais podem ocorrer sem sintomas evidentes. Por isso, em determinados tratamentos e situações clínicas, o profissional pode recomendar monitoramento das enzimas hepáticas.

 

Referências

FLORIAN, J. et al. Cannabidiol and liver enzyme level elevations in healthy adults: a randomized clinical trial. JAMA Internal Medicine, v. 185, n. 9, p. 1070-1078, 2025. DOI: 10.1001/jamainternmed.2025.2366.

CHESNEY, E. et al. Cannabidiol-associated hepatotoxicity: a systematic review and meta-analysis. Journal of Internal Medicine, 2023.

GASTON, T. E. et al. Interactions between cannabidiol and commonly used antiepileptic drugs. Epilepsia, 2017. DOI: 10.1111/epi.13852.

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