O que é cannabis medicinal, para que serve e como ter acesso? Guia completo, aprofundado e atualizado
A cannabis medicinal deixou de ser apenas um tema emergente para se consolidar como uma alternativa terapêutica relevante dentro da medicina moderna. Impulsionada por pesquisas científicas robustas, regulamentação sanitária e crescente experiência clínica, ela vem transformando a abordagem de diversas condições de saúde.
Mesmo assim, muitas dúvidas permanecem. O que exatamente é cannabis medicinal? Como ela age no organismo? Quais doenças podem ser tratadas? É segura? É legal no Brasil? Quanto custa? Como começar?
Este guia completo foi elaborado para responder a todas essas perguntas de forma técnica, clara e responsável, reunindo fundamentos científicos, aspectos regulatórios e orientações práticas para quem deseja entender ou iniciar o tratamento.
O que é cannabis medicinal?
A cannabis medicinal é o uso terapêutico da planta Cannabis sativa ou de seus derivados para tratar sintomas e doenças específicas, sempre com prescrição médica e acompanhamento profissional.
É fundamental diferenciar o uso medicinal do uso recreativo. No contexto clínico, o tratamento envolve:
- Produtos padronizados
- Controle rigoroso de qualidade
- Concentrações definidas de canabinoides
- Prescrição formal
- Monitoramento clínico contínuo
O objetivo não é provocar efeitos psicoativos, mas modular sistemas fisiológicos para restaurar o equilíbrio do organismo.
A evolução histórica da cannabis na medicina
O uso medicinal da cannabis não é recente. Registros históricos indicam sua utilização terapêutica há milhares de anos em diferentes civilizações. Na medicina tradicional chinesa e indiana, a planta já era empregada para tratar dor, inflamação e distúrbios neurológicos.
No século XX, a proibição global interrompeu pesquisas científicas por décadas. Entretanto, a partir dos anos 1990, com a descoberta do sistema endocanabinoide, houve um renascimento científico que impulsionou estudos clínicos mais rigorosos.
Hoje, diversos países regulamentaram o uso medicinal, baseados em evidências científicas crescentes e na experiência clínica acumulada.
O sistema endocanabinoide: a base científica do tratamento
O funcionamento da cannabis medicinal está diretamente relacionado ao sistema endocanabinoide, um sistema biológico presente em todos os seres humanos.
Esse sistema atua na manutenção da homeostase, ou seja, no equilíbrio interno do corpo. Ele regula funções como:
- Dor
- Humor
- Ansiedade
- Sono
- Memória
- Inflamação
- Resposta imunológica
- Apetite
- Controle motor
O sistema endocanabinoide é composto por:
- Receptores CB1 e CB2
- Endocanabinoides produzidos naturalmente pelo corpo
- Enzimas responsáveis pela síntese e degradação desses compostos
Os canabinoides da cannabis interagem com esses receptores, modulando respostas fisiológicas e ajudando a restaurar o equilíbrio quando há disfunção.
O que acontece quando o sistema endocanabinoide está desregulado
Pesquisas sugerem que alterações no funcionamento do sistema endocanabinoide podem estar associadas a condições crônicas como:
- Enxaqueca persistente
- Fibromialgia
- Síndrome do intestino irritável
- Distúrbios do sono
- Ansiedade crônica
Essa hipótese é chamada por alguns pesquisadores de “deficiência clínica do sistema endocanabinoide”. A cannabis medicinal pode atuar como moduladora, auxiliando na restauração desse equilíbrio fisiológico.
Principais compostos utilizados na medicina
Embora a planta contenha mais de 100 canabinoides identificados, dois são os principais na prática clínica:
Canabidiol (CBD)
O CBD é amplamente utilizado por não apresentar efeito psicoativo. Entre suas propriedades destacam-se:
- Ação anticonvulsivante
- Propriedade anti-inflamatória
- Efeito ansiolítico
- Modulação do humor
- Neuroproteção
- Regulação do sono
Tetrahidrocanabinol (THC)
O THC possui propriedades:
- Analgésicas
- Relaxantes musculares
- Antieméticas
- Estimulantes do apetite
- Moduladoras do sono
Pode ter efeito psicoativo em determinadas doses, mas na medicina seu uso é controlado e ajustado individualmente.
O efeito comitiva (entourage effect)
Um conceito importante na cannabis medicinal é o chamado efeito comitiva. Ele descreve a atuação sinérgica entre os diferentes compostos da planta.
Isso significa que:
- CBD e THC podem atuar melhor juntos do que isoladamente
- Terpenos influenciam os efeitos terapêuticos
- Formulações completas podem oferecer resposta clínica mais ampla
Essa abordagem reforça a importância da individualização do tratamento.
Principais indicações clínicas
Epilepsia
O CBD tem se destacado no tratamento de epilepsias refratárias, reduzindo crises em pacientes que não respondem adequadamente a medicamentos tradicionais.
Dor crônica
Indicada para:
- Fibromialgia
- Dor neuropática
- Artrite
- Enxaqueca crônica
- Dor oncológica
Saúde mental
Pode auxiliar em:
- Ansiedade
- Depressão
- Síndrome do pânico
- TEPT
- Transtorno do Espectro Autista
Doenças neurodegenerativas
Aplicável em:
- Alzheimer
- Parkinson
- Esclerose múltipla
Cannabis medicinal na oncologia
Na oncologia, a cannabis medicinal pode ser utilizada como tratamento complementar para:
- Controle da dor
- Náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia
- Perda de apetite
- Ansiedade associada ao diagnóstico
Embora não substitua terapias antitumorais, pode melhorar significativamente a qualidade de vida durante o tratamento.
Segurança do tratamento
Quando prescrita por profissional habilitado, a cannabis medicinal apresenta perfil de segurança considerado favorável.
Efeitos colaterais possíveis:
- Sonolência
- Boca seca
- Tontura leve
- Alterações gastrointestinais
A maioria é dose-dependente e reversível com ajuste.
Interações medicamentosas
É fundamental informar ao médico todos os medicamentos em uso. Alguns canabinoides podem interagir com enzimas hepáticas responsáveis pela metabolização de fármacos.
Por isso, o acompanhamento médico contínuo é essencial para ajustes seguros.
Aspectos legais no Brasil
No Brasil, o acesso à cannabis medicinal é regulamentado pela Anvisa por meio da RDC nº 660/2022.
O paciente pode:
- Solicitar autorização para importação
- Adquirir produtos disponíveis em farmácias autorizadas
Passo a passo detalhado para iniciar o tratamento
- Consulta com médico habilitado
- Emissão de prescrição médica
- Solicitação de autorização na Anvisa (quando necessário)
- Escolha de fornecedor regulamentado
- Acompanhamento periódico para ajustes
Esse processo garante segurança jurídica e sanitária ao paciente.
Cannabis medicinal é cara?
O custo pode variar conforme:
- Concentração do produto
- Marca
- Origem (nacional ou importado)
- Dosagem individual
Em média, o tratamento pode variar entre R$ 150 e R$ 2.500 por mês.
Embora possa representar investimento significativo, muitos pacientes relatam melhora na qualidade de vida que justifica o custo.
FAQ – Perguntas Frequentes
A cannabis medicinal causa dependência?
Quando utilizada sob prescrição médica e acompanhamento adequado, o risco é considerado baixo.
Crianças podem usar?
Sim, especialmente em epilepsia refratária e TEA, com acompanhamento especializado.
Idosos podem utilizar?
Sim, inclusive há bons resultados em dor crônica e distúrbios do sono.
Pode dirigir usando cannabis medicinal?
Depende da formulação e da resposta individual, principalmente em produtos com THC.
Plano de saúde cobre?
Em alguns casos, é possível obter cobertura por via judicial, mediante prescrição médica fundamentada.
Como a Vikura pode ajudar você
Iniciar o tratamento pode parecer complexo, mas você não precisa fazer isso sozinho.
A Vikura oferece suporte completo em todas as etapas:
- Orientação especializada
- Apoio no agendamento de consulta médica
- Auxílio na solicitação junto à Anvisa
- Indicação de fornecedores regulamentados
- Acompanhamento contínuo
Se você deseja entender se a cannabis medicinal é indicada para o seu caso, entre em contato com a Vikura e dê o primeiro passo com segurança, responsabilidade e suporte profissional.





