A frase “maconha queima neurônios” é repetida há décadas como um alerta absoluto. Ela aparece em campanhas antigas de prevenção, em discursos morais e até em conversas informais. Mas quando observamos o que a ciência moderna realmente diz sobre a cannabis, o cérebro e os canabinoides, percebemos que essa afirmação não se sustenta nos dados atuais.
Hoje sabemos que a cannabis é uma planta complexa, com mais de 100 canabinoides identificados, entre eles o THC (tetraidrocanabinol) e o CBD (canabidiol), que interagem com um sistema biológico próprio do corpo humano: o sistema endocanabinoide. Esse sistema está diretamente envolvido na regulação da memória, da dor, do humor, do sono, do apetite e da neuroplasticidade.
Neste artigo, vamos esclarecer:
- Se a maconha realmente “queima neurônios”
• Como o THC e outros canabinoides atuam no cérebro
• A diferença entre uso recreativo e uso medicinal
• O papel do THC na neuroproteção e no tratamento de doenças
• O que dizem as principais pesquisas científicas
De onde surgiu o mito de que a maconha queima neurônios?
A origem dessa ideia vem principalmente de estudos dos anos 1970 e 1980, feitos com metodologias inadequadas. Um dos mais citados envolveu macacos expostos a fumaça de cannabis sem oxigênio suficiente, o que levou à morte celular por asfixia, não por efeito direto do THC.
Pesquisas modernas mostraram que esse tipo de experimento não pode ser usado como base para afirmar que a cannabis destrói neurônios em humanos. A própria comunidade científica reconhece hoje que a hipótese de “queima neuronal” direta não é sustentada por evidência sólida.
Na realidade, o que os estudos mostram são alterações funcionais transitórias, e não destruição estrutural generalizada de células cerebrais.
Como o cérebro interage com a cannabis?
O corpo humano possui o sistema endocanabinoide, composto por:
- Receptores CB1 e CB2
• Endocanabinoides (como a anandamida)
• Enzimas reguladoras
Os receptores CB1 são abundantes no cérebro, especialmente em áreas ligadas à memória, emoção, dor e coordenação motora. O THC se liga principalmente a esses receptores, modulando a comunicação entre os neurônios.
Isso não significa destruição. Significa regulação da atividade neural.
A ativação do sistema endocanabinoide influencia:
- Neuroplasticidade
• Regulação emocional
• Processamento da dor
• Aprendizado e memória
• Resposta ao estresse
O papel do THC no cérebro: muito além do efeito recreativo
O THC é frequentemente reduzido apenas ao seu efeito psicoativo. No entanto, a ciência mostra que ele também possui propriedades:
- Neuroprotetoras
• Anti-inflamatórias
• Analgésicas
• Antieméticas
• Antiespasmódicas
Estudos indicam que o THC pode proteger neurônios contra danos causados por estresse oxidativo, inflamação e excitotoxicidade, processos envolvidos em doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson.
Pesquisas publicadas demonstram que canabinoides, incluindo o THC, podem reduzir a liberação excessiva de glutamato, um neurotransmissor que, em excesso, leva à morte neuronal. Ou seja, o THC pode atuar como protetor neuronal, não como destruidor.
Uso recreativo x uso medicinal: contextos completamente diferentes
Uso recreativo
O uso recreativo normalmente envolve:
- Doses variáveis
• Autoprescrição
• Objetivo de alteração da percepção
• Pouco controle sobre a composição do produto
Mesmo assim, a ciência não comprova que o THC destrua neurônios de forma direta. O que pode ocorrer são alterações temporárias na memória e na atenção enquanto o efeito está ativo.
Importante: estudos longitudinais mostram que, após interrupção do uso, há recuperação das funções cognitivas em grande parte dos usuários.
Uso medicinal
Já a cannabis medicinal é:
- Prescrita por profissionais de saúde
• Utilizada com dosagens controladas
• Com composição padronizada
• Direcionada a objetivos terapêuticos
No uso medicinal, o THC é parte fundamental do tratamento de várias condições:
- Dor crônica
• Espasticidade na esclerose múltipla
• Náuseas e vômitos da quimioterapia
• Estímulo do apetite em pacientes com câncer ou HIV
• Distúrbios do sono
Nesse contexto, o THC não é vilão, é ferramenta terapêutica.
Cannabis, THC e neuroproteção
Um dos campos mais promissores da pesquisa canabinoide é a neuroproteção.
Estudos mostram que o THC:
- Reduz inflamação neural
• Diminui estresse oxidativo
• Modula a liberação de neurotransmissores excitatórios
• Ativa mecanismos de sobrevivência celular
Em modelos experimentais, o THC demonstrou reduzir danos neuronais em situações como:
- Isquemia cerebral
• Traumatismo craniano
• Doenças neurodegenerativas
Ou seja: longe de “queimar neurônios”, o THC pode ajudar a preservá-los em contextos clínicos específicos.
O que a ciência realmente diz sobre maconha e neurônios?
A literatura científica atual indica:
- Não há evidência de que a cannabis destrua neurônios diretamente
• O THC não causa morte neuronal generalizada
• Os efeitos cognitivos observados são funcionais e geralmente reversíveis
• Em contexto médico, o THC apresenta propriedades terapêuticas e protetoras
A ideia de que “maconha queima neurônios” é um mito popular, não um fato científico.
A cannabis medicinal como ferramenta de saúde
Empresas como a Vikura trabalham com a cannabis dentro de um modelo baseado em:
Ciência;
Segurança;
Padronização;
Prescrição responsável.
A cannabis medicinal não é improviso: é resultado de décadas de pesquisa, ensaios clínicos e regulamentações internacionais.
O uso terapêutico da planta mostra que ela não é inimiga do cérebro — pelo contrário, pode ser uma aliada no tratamento de condições neurológicas, psiquiátricas e inflamatórias.
Conclusão
A frase “maconha queima neurônios” não resiste à análise científica moderna.
A cannabis atua no cérebro por meio do sistema endocanabinoide, modulando funções essenciais e, em muitos casos, oferecendo proteção neural. O THC, longe de ser apenas recreativo, tem papel importante na medicina contemporânea.
Separar mito de ciência é essencial para avançarmos em políticas de saúde, educação e acesso à cannabis medicinal de forma responsável e baseada em evidências.
A Vikura se posiciona exatamente nesse ponto: unir conhecimento científico, ética e cuidado para transformar a cannabis em ferramenta de bem-estar e qualidade de vida.




