A dúvida “o canabidiol engorda?” É muito comum entre quem considera usar produtos com CBD, seja por suas promessas terapêuticas, seja pela curiosidade. Afinal: será que o uso de canabidiol tende a aumentar o peso corporal, causar “inchaço” ou favorecer o ganho de gordura? Ou será o contrário: pode até contribuir para controle de peso ou metabolismo mais saudável? Neste artigo, vamos destrinchar o que a literatura científica aponta, apresentar algumas experiências reais e de forma clara e transparente, mostrar o que VOCÊ deve levar em consideração. Continue a leitura!
O que é o canabidiol
O canabidiol ou CBD, é um dos muitos compostos presentes na planta Cannabis sativa. Ele age de forma distinta do THC, interagindo com partes do sistema endocanabinoide e com outros sistemas de sinalização do organismo, o que pode gerar efeitos terapêuticos (Pinto; Martel, 2022).
Como o sistema endocanabinoide está intimamente ligado à regulação do apetite, do balanço energético e do metabolismo, é natural que muita gente questione se o uso de CBD pode afetar o peso corporal, e em especial se pode “engordar” (Pinto; Martel, 2022).
Evidências científicas: o que os estudos mostram
A pergunta “canabidiol engorda?” já foi objeto de diversos estudos, com resultados interessantes, e em sua maioria, contrários à ideia de que o CBD cause ganho de peso.
Estudos em animais
- Um estudo clássico com ratos submetidos a injeções diárias de CBD (2,5 mg/kg e 5 mg/kg, por 14 dias) observou uma redução significativa no ganho de peso corporal nos animais tratados, sendo o efeito mais pronunciado na dose maior. Esse efeito foi bloqueado quando se utilizava um antagonista do receptor CB2, o que sugere que os receptores CB2 podem estar envolvidos na regulação de peso (Russo et al., 2010).
- Em outro experimento com camundongos alimentados com dieta rica em gordura (modelo de obesidade), o suplemento oral com CBD durante várias semanas reduziu o ganho de peso, diminuiu a massa de tecido adiposo branco e resultou em adipócitos menores, além de melhorar a tolerância à glicose e ativar marcadores associados à “browning” (transformação de gordura branca em gordura mais ativa metabolicamente) (Silvestri et al., 2023).
- Em modelos de síndrome metabólica e obesidade induzida, o tratamento com CBD também normalizou a massa gorda, melhorou a composição corporal e favoreceu metabolismo mais saudável (Cao et al., 2023).
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Em resumo: nesses estudos, o CBD não só não causou ganho de peso, como muitas vezes promoveu controle de peso, melhora metabólica e menor acúmulo de gordura (Silvestri et al., 2023; Russo et al., 2010).
Evidências em humanos
Quando olhamos para estudos clínicos com humanos, os dados são mais limitados — mas interessantes:
- Uma revisão sistemática realizada até julho de 2022, que incluiu 11 ensaios clínicos randomizados sobre CBD e seus efeitos em apetite e peso corporal, concluiu que a maioria dos estudos relatou redução do apetite e/ou do peso corporal. Em alguns poucos estudos não houve mudança significativa, e apenas um descreveu aumento de apetite (Pinto; Martel, 2022).
- Em um estudo controlado de 8 semanas com adultos saudáveis, que analisou efeito de CBD oral em composição corporal, os autores não observaram diferenças significativas na massa magra (LBM – lean body mass) ou em marcadores metabólicos após o uso de CBD quando comparado ao placebo, o que sugere que, pelo menos nesse curto prazo e com doses médias, o CBD não alterou de forma expressiva a composição corporal (Bergamaschi et al., 2023).
Ou seja: embora existam dados apontando para um possível efeito “anorexígeno” (redução do apetite) e, em alguns casos, redução ou estabilidade de peso, não há evidência robusta e generalizada de que o CBD provoque ganho de peso em humanos (Pinto; Martel, 2022; Bergamaschi et al., 2023).
Sobre os mecanismos biológicos
A literatura pré-clínica sugere alguns mecanismos pelos quais o CBD poderia influenciar o peso:
- Aumento da lipólise (quebra de gordura) e redução da lipogênese (formação de nova gordura) em tecidos adiposos (Cao et al., 2023).
- Estímulo da “browning” da gordura branca, ou seja, transformação de células de gordura branca (mais “armazenadoras”) em células de gordura marrom/bege, que queimam energia (Silvestri et al., 2023).
- Melhora da sensibilidade à insulina, regulação do metabolismo glicêmico e lipídico,o que pode favorecer um perfil metabólico mais saudável e menos propenso ao acúmulo de gordura e obesidade (Cao et al., 2023).
Contudo, os autores enfatizam que muitos desses dados vêm de estudos em animais ou in vitro, e que os mecanismos exatos em humanos ainda não estão bem estabelecidos (Pinto; Martel, 2022).
Limitações e resultados mistos
Importante destacar que nem todos os estudos mostram efeitos “positivos” (ou “emagrecimento”). Por exemplo:
- Em um estudo com administração oral prolongada de CBD a camundongos alimentados com dieta rica em gordura, os pesquisadores relataram que, ao contrário do THC, o CBD não teve efeito significativo sobre ganho de peso e marcadores de esteatose nesse modelo específico (Le Foll et al., 2023).
- O estudo humano citado também sugere que, mesmo quando há benefício metabólico ou segurança de uso, as mudanças na composição corporal podem ser discretas ou nulas, dependendo da dose, duração e características individuais (Bergamaschi et al., 2023).
Além disso, como a revisão sistemática aponta, há risco de viés: muitos estudos envolvem populações pequenas, uso como adjuvante (junto com outros medicamentos), diferentes dosagens, formulações variadas (isolado de CBD, óleo completo, extratos), e tempos de observação curtos (Pinto; Martel, 2022).
Portanto: embora existam evidências promissoras, não há consenso científico absoluto que garanta que “usar CBD emagrece, ou que evita ganho de peso em qualquer circunstância”.
Por que as pessoas ainda acreditam que “canabidiol engorda”?
Apesar dos dados contrários, a crença de que CBD poderia causar ganho de peso persiste e há algumas possíveis razões para isso:
- Confusão com o uso de cannabis com THC: muitas pessoas associam os efeitos da cannabis como um todo (incluindo “larica”, aumento de apetite) ao CBD. Mas os componentes têm efeitos biológicos distintos. (Russo et al., 2010).
- Depoimentos individualizados: cada organismo reage de maneira singular. Há quem relate, por experiência própria, aumento de peso ou fome, possivelmente por outros fatores: dieta, estilo de vida, emocional, composição do produto de CBD (pureza, dose, presença de outras substâncias), etc. Esse tipo de relato, mesmo sendo subjetivo, pode espalhar a crença.
- Sobreposição de fatores externos: uso de CBD muitas vezes coincide com mudanças de rotina, sono, estresse, alimentação, fatores que por si só já promovem alterações no peso. A atribuição exclusiva ao CBD pode ser equivocada.
Depoimentos e percepções de usuários
Embora relatos pessoais não substituam evidência científica, eles ajudam a mostrar por que o tema gera tantas dúvidas. A seguir, dois exemplos representativos de relatos que circulam em fóruns, grupos ou conversas para ilustrar a diversidade de experiências possíveis ao usar CBD:
“Tomei CBD por alguns meses e senti mais fome, acabei comendo mais do que antes, e ganhei uns quilos.”
“Usei óleo de CBD para ansiedade, dormia melhor, mas percebi que me sentia com mais apetite à noite.”
“Não notei mudança no peso, mas meu metabolismo parecia mais lento, acho que poderia engordar se não cuidasse da alimentação.”
Esses relatos reforçam a subjetividade da experiência. Importante: fatores como dose, frequência, estilo de vida, alimentação e metabolismo individual influenciam muito. Também há relatos positivos de perda de peso, controle da compulsão alimentar, melhora de sono e bem-estar, mas comumente acompanhados de dieta equilibrada e exercícios físicos.
“Quando comecei a usar CBD da Vikura para controlar a ansiedade e melhorar meu sono, não buscava emagrecer, queria apenas bem-estar. Mas percebi que meu apetite voltou ao normal, às vezes até menos, e minha energia aumentou: voltei a caminhar, a cuidar da alimentação. Depois de 3 meses, o peso se estabilizou, meu corpo se sentia mais leve.”
Esse tipo de relato, alinhado com evidências demonstra que o CBD pode ser um aliado no bem-estar, e que qualquer efeito no peso tende a depender mais do estilo de vida do que do produto em si.
Interpretação crítica: o que podemos concluir
Com base no que a literatura científica mostra até o momento, a afirmação de que “canabidiol engorda” não tem suporte consistente. Pelo contrário:
- Estudos em animais mostram que o CBD pode frear ganho de peso, reduzir acúmulo de gordura e melhorar metabolismo (Silvestri et al., 2023; Russo et al., 2010).
- Ensaios clínicos em humanos tendem a relatar efeitos de redução de apetite ou nenhuma alteração, e não aumento de peso (Pinto; Martel, 2022; Bergamaschi et al., 2023).
Portanto, a resposta à pergunta “canabidiol engorda?” é: não necessariamente, e provavelmente, não. Pelo menos não com base nas evidências que temos até agora.
Conclusão
A ideia de que “canabidiol engorda” é um mito, ou no mínimo uma simplificação incorreta. As evidências até hoje apontam mais para neutralidade ou efeito contrário, de controle de peso e metabolismo saudável do que para ganho de gordura.
Na Vikura, acreditamos no uso consciente e informado do CBD: oferecemos produtos com qualidade, certificados e informação clara, para que você tome decisões seguras e alinhadas aos seus objetivos de saúde e bem-estar.
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